quinta-feira, 18 de julho de 2013

Saudades

O que somos?
O que fomos?
Por onde andas?
Através de que ondas?

Somos um par de luvas de lã.
Ora rasgado; ora louçã.
Somos rosas das quais o enxerto
Nunca mais há de dar certo.

Fomos mordidos pelas bocas sangrentas,
Sujas com o néctar que afugentas.
Fomos dilacerados pela fumaça
Da fogueira das dores jamais escassa.

Mar revolto e devoluto
Contra o qual ainda não luto.
Negra lama de anátemas coberta.
Chuva de gritos bate à porta.

Através de uma taça trincada
Que serve de chave para a porta da escada
Que sempre sobe; jamais desce;
A um mundo de onde teu olhar me esquece...

Obrigado... querida... 


Ervália, 02/07/2013

Cristiano Durães

Um comentário:

  1. "Através de uma taça trincada
    Que serve de chave para a porta da escada
    Que sempre sobe; jamais desce;
    A um mundo de onde teu olhar me esquece..." Que lindo *-*

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