Tanto me peço pra me ver;
Tanto se perde ante o dever...
Em luas e flores não nomeadas
Perguntas dormitam a punhaladas.
Duvidam tanto do amor alheio
E fazem do amor próprio um enleio.
Quero, amor,
Por onde for,
De ti, não o dulçor nauseante do mel,
Mas sim a embriaguez do hidromel.
Quero alucinar-te com o absinto
Que é- simplesmente- tudo o que sinto.
Seja uma dia
Vida e poesia
Nos sonhos dum poeta cansado
Que sempre esteve ao teu lado
Com receio de tomar a frente
E dizer aquilo que sente.
Não busco sabores que já conheço,
Tampouco, duma ceia, o recomeço.
Mas não custa ao mais fino paladar
Tentar, cada prato e vinho, experimentar,
Já que a gente savbe do amargo do desdém
Sem saber qual o sabor que a gente tem.
Ervália, 15/07/2013
Cristiano Durães
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Saudades
O que somos?
O que fomos?
Por onde andas?
Através de que ondas?
Somos um par de luvas de lã.
Ora rasgado; ora louçã.
Somos rosas das quais o enxerto
Nunca mais há de dar certo.
Fomos mordidos pelas bocas sangrentas,
Sujas com o néctar que afugentas.
Fomos dilacerados pela fumaça
Da fogueira das dores jamais escassa.
Mar revolto e devoluto
Contra o qual ainda não luto.
Negra lama de anátemas coberta.
Chuva de gritos bate à porta.
Através de uma taça trincada
Que serve de chave para a porta da escada
Que sempre sobe; jamais desce;
A um mundo de onde teu olhar me esquece...
Obrigado... querida...
Ervália, 02/07/2013
Cristiano Durães
O que fomos?
Por onde andas?
Através de que ondas?
Somos um par de luvas de lã.
Ora rasgado; ora louçã.
Somos rosas das quais o enxerto
Nunca mais há de dar certo.
Fomos mordidos pelas bocas sangrentas,
Sujas com o néctar que afugentas.
Fomos dilacerados pela fumaça
Da fogueira das dores jamais escassa.
Mar revolto e devoluto
Contra o qual ainda não luto.
Negra lama de anátemas coberta.
Chuva de gritos bate à porta.
Através de uma taça trincada
Que serve de chave para a porta da escada
Que sempre sobe; jamais desce;
A um mundo de onde teu olhar me esquece...
Obrigado... querida...
Ervália, 02/07/2013
Cristiano Durães
Culpa
Quando a angústia me espera
Entre os anseios e dúvidas em que ando,
Penso e choro, nesse sonho, quando
Descubro o que perdi na realidade austera.
Quantos delírios deixei calarem-se
Sem os gozar de coração e alma!
Ah! Quisera eu mais vidas de enlace,
Perdendo-me no ardor de negra lama.
Sinto as rosas de tempos atrás
Secando-se agora; no princípio desse verão
Tão virtuoso, hipócrita e sagaz.
Cada abraço que perdi sem razão...
Por medo, a dor que não vi tão medaz...
E por vergonha, os versos que não guardei no coração...
Ervália, 29/06/2013
Cristiano Durães
Entre os anseios e dúvidas em que ando,
Penso e choro, nesse sonho, quando
Descubro o que perdi na realidade austera.
Quantos delírios deixei calarem-se
Sem os gozar de coração e alma!
Ah! Quisera eu mais vidas de enlace,
Perdendo-me no ardor de negra lama.
Sinto as rosas de tempos atrás
Secando-se agora; no princípio desse verão
Tão virtuoso, hipócrita e sagaz.
Cada abraço que perdi sem razão...
Por medo, a dor que não vi tão medaz...
E por vergonha, os versos que não guardei no coração...
Ervália, 29/06/2013
Cristiano Durães
Desejo
Quisera eu, um dia,
Ser o felino que se entrevia
No espelho do quarto claro.
No prazer ferino revelar as garras
E após banhar no sol brincar com amarras,
Como se a inocência não fosse algo raro.
Quisera eu, as vezes,
Ter moradias regidas por meses.
Ser andorinha livre a pairar,
Já que apenas os pássaros e os anjos
Não sentem a angústia dos desejos
Nem a penúria de ondas feito o mar.
Quisera eu (e ainda quero)
Ser, de fato, o poeta austero
Que tudo vê e tudo recama
Em noites de lua cheia
De estro louçã feito o palor da areia...
Tudo sem sequer me levantar da cama...
Ervália, 29/06/2013
Cristiano Durães
Ser o felino que se entrevia
No espelho do quarto claro.
No prazer ferino revelar as garras
E após banhar no sol brincar com amarras,
Como se a inocência não fosse algo raro.
Quisera eu, as vezes,
Ter moradias regidas por meses.
Ser andorinha livre a pairar,
Já que apenas os pássaros e os anjos
Não sentem a angústia dos desejos
Nem a penúria de ondas feito o mar.
Quisera eu (e ainda quero)
Ser, de fato, o poeta austero
Que tudo vê e tudo recama
Em noites de lua cheia
De estro louçã feito o palor da areia...
Tudo sem sequer me levantar da cama...
Ervália, 29/06/2013
Cristiano Durães
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