quinta-feira, 18 de julho de 2013

Desejo

Quisera eu, um dia,
Ser o felino que se entrevia
No espelho do quarto claro.
No prazer ferino revelar as garras
E após banhar no sol brincar com amarras,
Como se a inocência não fosse algo raro.

Quisera eu, as vezes,
Ter moradias regidas por meses.
Ser andorinha livre a pairar,
Já que apenas os pássaros e os anjos
Não sentem a angústia dos desejos
Nem a penúria de ondas feito o mar.

Quisera eu (e ainda quero)
Ser, de fato, o poeta austero
Que tudo vê e tudo recama
Em noites de lua cheia
De estro louçã feito o palor da areia...
Tudo sem sequer me levantar da cama...

Ervália, 29/06/2013

Cristiano Durães

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