segunda-feira, 24 de junho de 2013

Versos do amor não correspondido

Amo-te tanto meu amor! 
Como a noite que ama a lua;
Como um peixe que ama a água do rio,

Como uma ferida que ama a dor.

Meu amor por ti vai além do horizonte 

E se perde dentre as montanhas...
Se queres saber o quanto eu a amo,
Multiplique as estrelas do céu,
pelas gotas do oceano.

Quando olho para teus olhos negros,

Meu olhar com um brilho fosco,
Se alegra de uma só vez,
Feito o amante na embriaguez.

Mas para ti não posso olhar,
Distante estás em no teu lugar.
E a esperança desse amor tão grande,

Hoje começa a se apagar.

Adeus meu amor, adeus!

De saudades tuas hei de morrer.
Faltou-me a luz dos teus olhos,

Como hei de viver?

Ervália, 26/08/2009

Cristiano Durães

Teus olhos negros

Teus olhos,
Olhando para os meus,
Me lançam frente a todos
E fazem-me sonhar com os olhos teus
 

Teus olhos, 
Que refletiam a luz do luar, 
Enquanto faço do teu colo o leito, 
E do momento um motivo para se alegrar.

Teus Olhos,

Me enchem de esperança devagar 
E apunhalam fundo o coração;
Em um lugar que jamais poderei chegar.

Teus olhos,
que hoje me fazem desditoso,

Na grande ira de amar
E no desejo impetuoso.

Teus olhos,

Que atordoavam minha dor
De não poder sempre sentir,

O teu inigualável calor.

Meus Desejos,

Hoje não se mostram tão íntegros.
Lembro do que jamais aconteceu
Quando olho para esses teus olhos negros...




Ervália, 07/02/2010


Cristiano Durães

E que o sol seque a flor...

Sem ter o que dizer,
Jogando ao léu o próprio olhar,
Faço do pós-noite um prazer
E o sol recém nascido procuro ornar.

Não quero flores de novo
Já que todas murcharam com o amar.
Anseio pelo sol sempre novo,
Já que há de demorar a se apagar.

Anseios e prazeres
São sonhos que tiram o sono...
Ver de longe os anseios dos pares
É um prazer ímpar que não coleciono.

De um sonho sem fim eu não estou afim,
E no fim, enfim eu sonho
Com um sonho de amor sem fim
E com o fim de um amor sem sonho.

Ervália, 24/06/2013

Cristiano Durães 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Presságio dos seguintes ciclos II

                                                     "Beijarei a verdade santa e nua,
                                                      Verei cristalizar-se o sonho amigo ...
                                                      Ó minha virgem dos errantes sonhos ,
                                                     Filha do céu, eu vou amar contigo!"

                                                                 ÁLVARES DE AZEVEDO

Oh Deus! Peço o perdão
Que- aturdido- se mistura
Ao coro imerso no coração
Que sente a hidra maldita
Da perpétua saudade dessa canção!
Tenho sido, talvez, pertinente
No negrume que se imana
Nesses bálsamos da flor que mente
Para as reminiscências mais vorazes
As quais não se sente...

Burilem na minha pedra escura
O martírio de estar só
E o esvoaçar da mortalha impura.
Do tétrico ato que se aproxima
Retirem apenas a alvura
E nuancem à cor do ataúde,
Já que a saudade tanto molesta
E que o saber não altera
A caminhada quiçá funesta
Que os sonhos e a paixão austera-
Que de tanto orgulho não mais me infesta-
Renega-me e nessa terra-
Lamacenta e de pútrida desdita -
Me corrói; me enterra,
Tal qual no coração a loucura já dita.

Ervália, 12/06/2013

Cristiano Durães

À minha querida senhora...

                                              "Coração, por que tremes? Vejo a morte,
                                                Ali vem lazarenta e desdentada...
                                                Que noiva!... E devo então dormir com ela?
                                                Se ela ao menos dormisse mascarada!"

                                                                  ÁLVARES DE AZEVEDO


Pontual senhora,
Por que quis beijar-me a fronte,
Marcando-me testa afora
Com esse batom vermelho nauseante?

Esperada senhora,
Por que assombras os corações errantes
Com esses gritos que da dor aflora
Até nas idéias dos gigantes?

Desgraçada senhora,
Por que levaste a vida que não encanto
Antes de vir apagar a aurora
Com as lágrimas do teu frio pranto?

Tétrica senhora,
Por que no declínio da vida
Sorriste como em tal hora
Que virás decretar-me a partida?

Trevosa senhora,
Por que a segadeira não recamas
E essas tua veste que não se cora
Trocas por qualquer flor que amas?

Sincera senhora,
A caminhada é traçada;
Já marquei contigo a hora.
Não vá chegar atrasada!

Ervália, 12/06/2013

Cristiano Durães



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Lua Nova tresloucada

Há quem diga
Que esses gritos doridos
E esses suspiros de fadiga
São leves fardos
Que a alma instiga.

A princípio temos o vácuo trevoso.
Em tórridas chamas de Dante;
Em solo pútrido e rochoso
No qual- apenas por um instante-
Sentimo-nos num viver desvirtuoso.

Em seguida vem a falange atormentada
Entoando um coro sinistro e atroz
De uivante blasmêfia que enfada
Tal qual frieza de limpíssimo algoz
E o fio de sua sangrenta espada.

Foi-se... e sequer conseguiu perecer.
E nesse vale de macabros horrores
Não há bálsamo a nos desvanecer
Nem há perfumede amores
Entre o odor do corpo a apodrecer.

Ervália, 10/06/2013

Cristiano Durães

Anoitecido

Quando grita forte
A voz que entoa no coração!
Quando clamo a sorte
Entre a dor atroz dessa canção!

Vê-se ao léu
Os tais beijos do passado!
Tem no céu
Um negro amargo e alado!

Quando murcha a alva rosa
E anoitece nos olhares perdidos!
Quando sagra-se tão honrosa
A negação; a flor dos pedidos.

Rasgam-nos os prantos
E o vento a regelar.
Os medos revoltos
Jogam-nos frente ao mar...

Ervália, 07/06/2013

Cristiano Durães

Se for de cór a cor da flor

É apenas a falta de ser
Que se renova após o dia
Sem amar e sem temer
A poesia que ela calaria.

No negro da cova e do corvo
Salta uma saudade florida.
Nos torpes entorpecidos
Abre-se um sorriso e uma ferida.

No ermo dos corpos e copos
Adormece a alegria altiva.
Mas chega a hora d'aurora...
Tão viva! Seja onde ela viva!

O que é que passa na cabeça
Dessas mulheres dementes
Com sombras nos olhos
E sombras também nas mentes?

Não sei se não sei da noite vã
Só sei que pensei que era louçã.
E na manhã do amanhã
Hei de pensar amanhã de manhã.

Ervália, 02/06/2013

Cristiano Durães

Novel

Sim. Sou apenas eu.
Sou um número; um desprovido.
Não. Não sou apenas meu
Sou uma fração; um olhar dividido.
Sabe-se da alvura do extinto.
E no morno do sepulcro
Um sonho de ardor faminto
Adormece em negro invólucro.

São dias e vidas ínvios e turvos.
Nos quais fulminam os valores
A prantear em castos uivos,
Incomodando os deuses e flores.
A todos, uns raios de amor.
À ela, a certeza da harmonia.
À pele, o delírio do palor.
Ao caminho, a quentura da poesia.

Ervália, 29/05/2013

Cristiano Durães